Convulsão X epilepsia: saiba a diferença, as causas e o que fazer

Muitos pensam que quando alguém tem uma crise convulsiva, ela sofre de epilepsia. Mas não, isso não é verdade. Há uma grande diferença entre convulsão e epilepsia.

Impulsos elétricos

Os nossos movimentos, como andar, segurar um copo, etc, só são possíveis por conta de impulsos elétricos que são gerados no cérebro e transmitido aos membros por meio dos nervos. Ações como pensar, lembrar, respirar, entre outras, também dependem destes impulsos.

Quando a geração de corrente elétrica no cérebro fica desorganizada, ele sofre um curto circuito, e com isso, há diversas manifestações clínicas que chamamos de convulsão. Logo, podemos definir convulsão como atividade elétrica cerebral anômala.

Causas da convulsão

Diversos são os motivos que podem causar uma convulsão, e qualquer pessoa pode ter uma crise, em qualquer idade:

  • Intoxicação por álcool ou drogas;
  • Infecções;
  • Traumas (acidentes automobilísticos ou pancadas na cabeça);
  • Tumor;
  • Febre alta;
  • Hipoglicemia;
  • entre outros.

Tipos de convulsão e características

Existem vários tipos de convulsão. Logo, elas podem se apresentar de diversas maneiras, que vão desde uma crise de ausência, passando por tremores na boca ou nas mãos, até um desmaio seguido de movimentos musculares involuntários, onde a vítima pode salivar excessivamente e perder o controle do esfincter, chegando a urinar e até mesmo defecar. Este último tipo de crise convulsiva é conhecida como tônico-clônica ou grande mal, que é a mais conhecida.

Epilepsia

Quando estas crises são recorrentes, geralmente por problemas do sistema nervoso, problemas genéticos ou sequelas de um trauma, a vítima tem uma doença crônica chamada epilepsia. Neste caso, é necessário fazer uso de medicamentos controlados ou, até mesmo, fazer cirurgias para controle destas crises. Portanto, convulsão não é uma doença, e sim, uma consequência. A doença é a recorrência das crises, chamada portanto de epilepsia.

Primeiros socorros:

Ao contrário do que muitos pensam, a epilepsia não é transmissível. Como não é possível prever uma crise ou mesmo controlá-la, as medidas de primeiros socorros no cenário pré hospitalar (ou seja, em casa, na rua, ou no trabalho), se restringem a evitar o agravamento do quadro.

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  • Afaste objetos próximos que podem machucá-la;
  • Afrouxe as vestes;
  • Coloque as mãos ou uma almofada embaixo da cabeça para evitar traumas;
  • Coloque a cabeça de lado, se possível, para facilitar o escoamento de saliva e a respiração;
  • Acione o SAMU ou Corpo de Bombeiros.

Colocar uma colher ou outro objeto na boca, ou mesmo o próprio dedo na intenção da facilitar a respiração da vítima, além de não ajudar, pode causar um segundo acidente, pois a vítima pode se machucar ou mesmo cortar o seu dedo por conta dos movimentos involuntários.

Não de nada para a vítima cheirar ou beber durante e nem após a crise. Ajude-a na recuperação da consciência, já que geralmente ela volta extremamente confusa e ate mesmo agressiva.

Por fim, é importante monitorar a respiração, pois, se ela não recobrar a consciência e não estiver respirando, ela está em parada cardiorrespiratória. Neste caso, aplique as medidas de RCP – Reanimação Cardiopulmonar, que você pode ler aqui.

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cf-carlosfelipe@bol.com.br

Instrutor de Primeiros Socorros, RCP e DEA credenciado pelo National Safety Council – USA.

As brigadas de emergência em unidades industriais

Desde da primeira Revolução Industrial ocorrida no século XVIII, a forma que o homem produz seus bens vem cada dia mudando. Processos cada vez mais complexos e instrumentalizados oferecem maior segurança nas linhas de produção, evitando por exemplo a ocorrência de acidentes graves como incêndio, explosões e grandes emissões de produtos tóxicos. De acordo com a Convenção n° 174 da Organização Internacional do Trabalho – OIT, esses acidentes são designados como “acidentes maiores”, envolvendo uma ou mais substâncias perigosas e que implica grave perigo, imediato ou retardado, para os trabalhadores, a população e o meio ambiente.

Ainda assim, mesmo com toda tecnologia empregada como sistemas de intertravamento lógicos e físicos ou ainda procedimentos operacionais bem desenvolvidos, os acidentes podem ocorrer, exigindo da empresa o emprego de recursos humanos e materiais capazes de mitigar os efeitos desses acidentes. Em suma, há a necessidade de se manter um brigada de emergência ativa para alcançar esse objetivo.

No Brasil, duas normas importantes são utilizadas para definir o treinamento bem como as ações das brigadas de emergência. A ABNT NBR 14276:2006 – Brigada de Incêndio estabelece entre outros requisitos a composição, formação e implantação de brigadas de incêndio, de modo a preparar as equipes para atuar na prevenção e no combate a incêndio, abandono de área e primeiros socorros, visando em caso de sinistro proteger vidas e patrimônio, reduzindo as consequências sociais e danos ao meio ambiente. Já a ABNT NBR 15219:2005 – Plano de Emergência contra Incêndio estabelece os requisitos para a elaboração, implantação, manutenção e revisão de um plano de emergência contra incêndio. Além dessas, ainda há os COSCIP- Código de Segurança contra Incêndio e Pânico e demais Instruções Normativas, que em alguns estados da federação é exigida a constituição dessa equipe.

De forma a mostrar a importância, abaixo há três situações emergenciais ocorridas recentemente com uma breve descrição, onde a ação da brigada de emergência foi decisiva para mitigar os efeitos do incêndio:

1. No Ceará, incêndio atinge pátio de matérias-primas de carvão mineral da Siderúrgica do Pecém

Um princípio de incêndio foi registrado na tarde de segunda-feira (28) na Companhia Siderúrgica do Pecém, em São Gonçalo do Amarante, Região Metropolitana de Fortaleza. Segundo a empresa, as chamas iniciaram por volta das 13 horas, no pátio de matérias-primas, num equipamento de transporte interno de carvão mineral. O Centro Integrado de Emergência foi acionado e controlou a situação. Houve apenas danos materiais e a operação da empresa não foi afetada. As causas do incidente estão sendo investigadas.

2. Tanque de etanol explode em usina e uma pessoa fica ferida em distrito de Jaú (SP)

Um tanque de armazenamento de combustível etanol explodiu em uma usina de Potunduva, distrito de Jaú  Segundo os bombeiros, um funcionários ficou ferido. De acordo com os responsáveis pela usina, o tanque estava vazio no momento da explosão. Ainda de acordo com o Corpo de Bombeiros, as chamas foram controladas com a ajuda da Brigada de Incêndio da usina. Após o fogo ter sido controlado, foi realizado o esfriamento do tanque.

3. Explosão mata funcionário em destilaria de álcool de Jandaia

Uma destilaria foi atingida por uma explosão na manhã desta quarta-feira (29), em Jandaia, a 120 km de Goiânia. Por conta do acidente, o auxiliar de serviços gerais Natan da Silva, de 19 anos, que trabalhava no local, morreu. Ao menos outras três pessoas foram socorridas e levadas para hospitais da região.  Em nota, a Denusa Destilaria Nova União S/A lamentou a morte do funcionário e informou que a explosão ocorreu no pré-evaporador na indústria. Os próprios brigadistas da empresa foram quem apagaram as chamas. Três pessoas foram socorridas e levadas para dois hospitais de Indiara.

É evidente, que antes de tudo é necessário se trabalhar na prevenção. Sistemas bem dimensionados e mantidos são fundamentais para que ocorrências como essa não pudessem acontecer. Mesmo assim, o investimento em brigadas de emergência torna-se importante, para diminuir os prejuízos causados pelo evento emergencial, como pudemos mostrar nas reportagens mostradas. O empresário ou gestor industrial ainda tenham dúvidas sobre a real necessidade de manter profissionais treinados e dedicados a emergência, esses exemplos elucidaram esse questionamento. Mais do que a necessidade de cumprir uma norma ou legislação, a preservação de vidas humanas e a continuidade do negócio está em jogo.

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Tipos de proteção contra incêndio em edificações

Ao pensar na forma que o Projeto de Proteção contra Incêndios será desenvolvido, é importante entender que este fará parte de um sistema com outros atores envolvidos. No interior de uma edificação, haverão outros projetos como o arquitetônico, o hidrosanitário, o elétrico, entre outros. Dessa forma, as medidas de proteção contra incêndio devem ser estabelecidas, levando-se em consideração a possibilidade de envolvimento com outras disciplinas presentes na edificação.O Projeto em si tem como premissa básica a preservação da vida dos ocupantes, e em segundo objetivo a proteção do patrimônio e do negócio neste desenvolvido. Em tese, primeiro deve-se evitar o início do fogo, prevendo as medidas construtivas adequadas para que ele não ocorra. Agora caso ele venha a ocorrer, devem ser previstas medidas de desocupação rápida e segura das pessoas e a possibilidade de combatê-lo de forma ágil e eficaz, antes que se alastre para outros locais da edificação ou outros edificações.Sendo assim, para alcançar o grau de segurança exigido pelas legislações e normas técnicas, as medidas de proteção pode ser classificadas quanto a sua função e operação como Passivas, Preventivas e Ativas. Abaixo falamos um pouco sobre cada uma delas:Medidas de Proteção Passiva: são aquelas tomadas durante a elaboração do projeto da edificação, principalmente no projeto arquitetônico. Podemos citar como exemplo, o afastamento adequado entre edificações, as compartimentações verticais e horizontais, saídas de emergência, os materiais utilizados no revestimento e acabamento, sistema de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA), entre outros.Medidas de Proteção Preventiva: são aquelas tomadas durante a ocupação ou funcionamento propriamente dito da edificação, ligadas principalmente a sua manutenção. Podemos citar como exemplo, a manutenção dos equipamentos de combate a incêndio, o treinamento da brigada de incêndio, a manutenção de equipamentos como ar-condicionados ou centrais de refrigeração, entre outros.Medidas de Proteção Ativa: são aquelas ligadas a reação ao fogo que já está ocorrendo dentro de uma edificação. Podem ter seu acionamento de forma manual ou automática e devem ser mantidos de forma adequada para o uso em caso de incêndio. Exemplos: sistema de detecção e de alarme de incêndio, sinalização de emergência, extintores, hidrantes, chuveiros automáticos (sprinklers), brigada de incêndio, entre outros.Importante destacar que o ponto mais importante é prevenir o foco inicial de fogo. As medidas pode ser mais simples ou ainda mais complexas, mas todas devem ter como base esse objetivo. Apesar do nosso país ainda ter uma uma cultura plena em relação a prevenção, devemos ser agentes conscientizadores quanto ao tema.Gostou do texto? Comente, deixe o seu “gostei” e compartilhe!

A Análise de Riscos Tecnológicos Industriais

Segundo o Pai da Qualidade Total “…não se gerencia o que não se mede, não se mede o que não se define, não se define o que não se entende, ou seja, não há sucesso no que não se gerencia (adaptado de W. Edwards Deming).” Apesar de parecer algo bem óbvio, muitos processos ligados a Segurança Industrial não são levados em consideração simplesmente por desconhecimento dos riscos envolvidos.

Talvez você nunca tenha percebido, mas a todo momento realizamos análises de risco em nosso cotidiano. Desde de quando colocamos a opção “soneca” no despertador do celular para não “correr o risco” de perder a hora enquanto se cochila mais um pouco ou ainda quando fazemos a verificação dos itens básicos do nosso veículo (freios, motor, faróis, etc) antes de uma viagem para não “correr o risco” de ficar com o carro na mão ou levar um multa de trânsito. A expressão “correr o risco” nos remete sempre a possibilidade de dar sorte ao azar, de ser vítima do acaso ou ainda ser surpreendido no pior momento.

Grande parte das metodologias de Análise de Riscos que atualmente são usadas, surgiram na primeira metade do século passado e foram desenvolvidos por organizações militares e assim como por empresas de seguro. Em relação a esse último, entender como as possíveis causas de ocorrência de eventos indesejados poderiam acontecer e logicamente os seus efeitos para o sistema, é a chave do sucesso para lucrar com esse negócio. A logica é simples, quanto mais meios de prevenção de sinistros você tiver, menos a Seguradora vai lhe cobrar para garantir o valor do seu patrimônio caso ele venha a ser atingido. Esses meios vão desde de procedimentos operacionais, sistemas de mitigação, equipamentos, treinamentos das equipes, entre outros. Atualmente, não só o patrimônio material está em jogo, mas danos causados a pessoas, meio ambiente, imagem empresarial e continuidade operacional também.

Então, voltamos ao que o Papai Deming pregava… em resumo não se gerencia aquilo que não se conhece. E para cada fase do empreendimento ou ainda para cada intervenção que faremos em um sistema, um método diferente pode ser empregado evidenciando aquilo que queremos extrair. Basicamente, grande parte das técnicas quando corretamente aplicadas nos oferecerão:

  • Cenários ou eventos principais: (Ex: fogo no permutador P-3241)
  • Causas (Ex: perfuração na interface casco/tubo do P-3241)
  • Efeitos (Ex: incêndio, explosão, parada operacional, perda de produto)
  • Modo de Detecção (Ex: queda de pressão na linha)
  • Salvaguardas (Ex: inspeção periódica, sistema de bloqueio mecânico)
  • Medidas de Emergência (Ex: realizar bloqueio a montante da linha de alta, acionar sistema de dilúvio)
  • Recomendações (Ex: seguir planejamento de inspeção, operar equipamento dentro dos parâmetros definidos no projeto)

Os estudos de análise de riscos aplicados devem ser documentados adequadamente ao longo de todas as fases do empreendimento e devem ser mantidos atualizados e acessíveis aos usuários interessados.

Como podemos perceber os dados gerados no processo de análise podem trazer um norte para elaboração de procedimentos sejam eles operacionais, de manutenção ou de emergência. Tais análises devem ser feitas por equipe multidisciplinar com boa experiência na sua área de atuação e serem conduzidas por profissional capacitado na sua mediação.

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O Plano de Resposta a Emergências e a Indústria Petroquímica

Indústrias petroquímicas como refinarias, são classificadas como indústrias de processo. Esse tipo de planta oferece os mais diversos tipos de riscos de acidentes. Falhas de máquinas, problemas de processo, erros humanos, sistemas de gerenciamento inadequados e fatores externos podem causar acidentes como explosão, liberação química tóxica e incêndios que colocam muitas vidas em jogo. Esses acidentes têm o potencial de causar grande número de mortos, danificar os ativos e o meio ambiente, bem como causar interrupção dos negócios da indústria (Crowl et al., 2011).

De acordo com Broadribb (2014), as consequências decorrentes de tais acidentes podem ser gerenciadas adequadamente se a organização implementar um sistema de Plano de Resposta à Emergência efetivo. Segundo Joseph (2004), em vários acidentes investigados pelo CSB – Chemical Safety Board nos Estados Unidos, a maioria dos eventos de emergência causaram exposição perigosa ao meio ambiente. A falta de resposta de emergência à comunidade levou a atraso na evacuação, expondo mais vidas aos perigos associados à liberação química, incêndios ou explosões.

Segundo Zhou (2013), de modo a reduzir os danos à propriedade e a perda de vidas após o acidente, a eficiência da organização e operação da resposta de emergência é muito importante. Para garantir rapidez, implementação ordenada e eficaz de ações de emergência e salvamento, o plano de emergência é geralmente pré-estabelecido. Ele estrutura a organização de emergência, pessoal, tecnologia, equipamentos, materiais, ações, comandos e coordenação de antemão. A avaliação do plano de emergência tornou-se um requisito essencial para melhorar a execução e o planejamento do plano.

Diversas organizações, sejam governamentais ou não, orientam as empresas a estruturar Planos de Resposta à Emergência. No Brasil, a ABNT NBR 15219:2008 – Plano de Emergência Contra Incêndio orienta a elaboração de documento, formaliza e descreve o conjunto de ações e medidas a serem adotadas no caso de uma situação crítica, visando proteger a vida e o patrimônio, bem como reduzir as consequências. Situações críticas resultam em lesão a pessoas, danos ao meio ambiente, danos aos equipamentos e/ou estruturas e/ou paralisação de atividades. O plano de emergência deve ser elaborado formalmente por uma equipe multidisciplinar, liderado por um ou mais profissionais especializados. De acordo com a NBR, a construção do plano deve levar em consideração diversas informações. Como por exemplo, podemos citar, o tipo de ocupação, aspectos construtivos (estrutura, acabamento, revestimentos), dimensões (área total, área construída, pavimentos, etc.), população fixa e variável, recursos materiais e humanos, rotas de fuga, entre outras informações.

Após o levantamento das características da planta e da localidade, o profissional especializado deve realizar a análise da planta, com o objetivo de minimizar, controlar e/ou eliminar todos os riscos e perigos existentes. Com o levantamento das características e das análises de riscos e perigos, o profissional especializado deve realizar uma avaliação de conformidade e de compatibilidade quantitativa e qualitativa dos recursos materiais e humanos existentes na planta, bem como os recursos de apoio externo disponíveis para o atendimento das hipóteses acidentais. Dessa forma, observa-se como os Planos de Resposta à Emergência, se bem estruturados e efetivos, podem trazer proteção tanto para as organizações, quanto para a comunidade e o meio ambiente.

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Referências:

BROADRIBB, M. P. What Have We Really Learned? Twenty Five Years after Piper Alpha. Process Safety Progress2, v. 34, n. 1, p. 16–23, 2014. Elsevier B.V.

CROWL, D. A.; A., C. PROCESS SAFETY : FUNDAMENTALS WITH APPLICATIONS / D.; CROWL, J. F. L. —3R. ED.; CM, P. Chemical Process Safety Fundamentals with Applications. 2011.

ZHOU, J.; Petri net modeling for the emergency response to chemical accidents. Journal of Loss Prevention in the Process Industries, 26(4), 766–770. (2013).

Acidentes Industriais: Entendendo os Sinais de Alerta

Quando estamos prestes a adoecer, como por exemplo uma gripe, nosso corpo costuma dar sinais do que pode estar por vir. Ao se dar conta disso temos duas opções: começar o tratamento ou ignorar o aviso e esperar que o pior não aconteça. Da mesma forma, os sistemas instalados em grandes industriais se comportam. Basicamente, a identificação precoce e o tratamento adequado das situações presentes podem prevenir a ocorrência de acidentes industriais.

Os sinais de alerta devem ser tão logo percebidos e reconhecidos, dentro da organização. Em grande parte dos casos, empresas que apresentam boa cultura de segurança e que apresentam em sua gestão ferramentas para a identificação de falhas, inclusive aquelas menos visíveis, obtém maior sucesso na segurança de seus processos. A seguir, veja algumas medidas importantes em relação aos sinais de alerta:

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  • Não ignorar sinais de alerta que inicialmente pareçam pequenos: Muitas vezes uma pequena falha encontrada em um sistema, pode evoluir para uma situação mais gravosa ou ainda se combinar com outras pequenas falhas, podendo assim já ter condição suficiente para a ocorrência de um acidente. Podemos citar como exemplo, um pequeno vazamento. Este pode com o tempo aumentar em proporção ou ainda se combinar com outras falhas do sistema.
  • Manter um bom Senso de Vulnerabilidade: Estar sempre vigilante, atento as condições operacionais e de preservação, bem como ter consciência dos reais riscos que podem estar presentes no processo, auxiliam na identificação e tratamentos dos possíveis sinais de alerta dados pelo sistema. Já falamos sobre esse assunto aqui.
  • Criar rotinas de inspeção/auditoria nas áreas operacionais: O hábito de verificação pode aprimorar e aproximar os responsáveis pela operação, bem como outras áreas correlatas, dos possíveis sinais de alerta emitidos por um sistema. Uma vibração excessiva, um ruído diferente ou ainda o aumento da temperatura podem dar indícios de que algo está errado, por exemplo.
  • Revisar procedimentos, check-lists, instruções operacionais, entre outros: Em alguns, mesmo executando a operação conforme planejado, podem haver lacunas que direcionam o sistema para um estado de falha. Os sinais de alerta também podem surgir no gerenciamento da produção, sendo sempre necessária a revisão de documentos ligados a esta.

Ainda podem existir muitas outras medidas referentes ao assunto. A observação dos sinais de alerta podem determinar as possíveis fraquezas do sistema. Fraquezas essas que podem ser causadores de um acidente industrial. Logo, preencher essas lacunas devolvendo para o sistema os requisitos mínimos para a sua operação segura, é chave para a prevenção.

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Bombeiras e a falta de adaptação das vestimentas de aproximação

Durante muitos anos a presença de mulheres dentro das corporações de bombeiros e de brigadas de emergência era visto com desconfiança, principalmente pelos homens. Apesar disso, muitas conquistaram seu espaço durante o tempo e mostraram competência na execução das difíceis tarefas impostas pela função. No Brasil, em algumas corporações estaduais, chegam a ter 10% do seu efetivo formado por mulheres.

Em estudo recente realizado por pesquisadores da Universidade do Colorado (EUA) e publicado na revista “Internacional Journal of Industrial Ergonomics“, revelou alguns problemas ergonômicos enfrentados pelas bombeiras quanto as roupas de aproximação utilizadas durante o combate a incêndio.

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O estudo reuniu 18 profissionais (9 homens e 9 mulheres), onde foram feitos levantamentos subjetivos sobre as vestimentas através de entrevistas, além da utilização de escaneamento 3D do corpo de cada um dos entrevistados. O principal problema identificado quanto as roupas foram as calças de aproximação. Os dados tridimensionais revelaram diferenças anatômicas significativas, principalmente na linha de base central utilizada para a definição parâmetros como o “fundo” da calça e a base para a cintura, causando desconforto durante a utilização. Outro ponto levantado, foi a ausência ajuste para melhor adequação da vestimenta.

Os resultados deste estudo sugerem evidências científicas dos problemas de adaptação antropométrica, que podem servir como base para a indústria de fabricação, visando oferecer maior segurança ocupacional e melhorar os sistemas de ajuste e dimensionamento, especialmente para as mulheres que usam uniformes projetados com base no físico masculino.

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Desastres Naturais e Segurança de Processo

Uma das principais formas de prevenir acidentes de processo, como explosões, incêndios ou grandes vazamentos, está em conhecer bem o sistema que se está inserido. Entretanto, podem haver situações que são externas as unidades industriais, conhecidas como extramuros, que podem causar problemas internamente nas grandes indústrias. Entre essas situações podemos citar os desastres naturais.

Apesar do Brasil ter uma clima relativamente estável, onde não é comum encontrar eventos como tsunamis ou terremotos, ainda é possível perceber outros como descargas atmosféricas e inundações. Sendo assim, mesmo que em menor probabilidade, é necessário que os Planos de Respostas a Emergência abordem ações para prevenir e/ou mitigar situações onde possíveis desastres possam influenciar internamente.

Como exemplo de desastre natural que influenciou diretamente em uma indústria, temos o acidente na usina nuclear de Fukushima no Japão, ocorrido em 2011. Nesse acidente, a usina foi atingida por um tsunami provocado por um maremoto de magnitude 8,7. Como consequência, três dos seis reatores nucleares da unidade industrial derreteram, liberando grandes quantidades de material radioativo. Apesar de nenhuma morte por radiação tenha sido relatada, mais de 300 mil pessoas tiveram que ser deslocadas. Investigação realizada após o acidente mostrou que as principais causas relacionadas eram previsíveis e que grande parte das usinas existentes no Japão, não se tinha sistema de detecção e proteção contra tsumanis.

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Então, o que devemos fazer para esses tipos de acidente provocados por desastres naturais, bem como suas consequências sejam evitadas ou mitigadas? Abaixo segue algumas medidas que podem ser aplicadas:

  1. Inicialmente, é importante que se conheça o risco. Grande partes dos complexos industriais possuem estações meteorológicas próprias. Ainda é possível obter informações com serviços de meteorologia oficiais, se antecipando aos possíveis eventos que podem ocorrer.
  2. Muitas vezes o desastre não precisa acontecer na empresa para que essa seja influenciada por ele. Desastres naturais podem, por exemplo, impedir o acesso das pessoas a unidade industrial. Sendo assim, é preciso se ter um Plano de Contigência para que, com as pessoas que ainda estejam dentro da empresa, seja possível operar a unidade de forma segura. Logo, é preciso que as acomodações sejam melhoradas procurando diminuir o impacto relacionado a esse contigenciamento.
  3. Outro fator importante é ter a consciência que o evento pode influenciar diretamente no processo. Imaginem um raio venha atingir algum equipamento ou unidade de produção. Se estes não tiveram as proteções contra descargas atmosféricas bem projetadas, dimensionadas e mantidas, podemos ter um incêndio, por exemplo.
  4. Os Planos de Resposta a Emergência precisam acompanhar as possíveis modificações que o clima pode apresentar durante o tempo. Muitas das previsões meteorológicas são construídas através de séries históricas, possuindo boa precisão sobre o comportamento climático durante determinado período.

Dessa forma, manter-se vigilante quanto as variações climáticas, bem como conhecer estas condições durante o tempo, pode ajudar na construção de um sistema de prevenção e mitigação no caso de desastres naturais. Consequentemente, será possível diminuir a influência destes no processo produtivo, ajudando a manter a unidade industrial menos vulnerável e mais segura.

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O Efeito Dominó e as Emergências Industriais

Como sabemos, Acidentes Industriais Maiores (ou Ampliados) são aqueles que em virtude da sua ocorrência podem trazer danos as pessoas, patrimônio, meio ambiente, além de grandes prejuízos a continuidade operacional e a imagem da empresas. Podemos citar como exemplos desses acidentes, os incêndios, explosões ou grandes vazamentos. Todos esses acidentes, devido principalmente aos efeitos de sobrepressão e radiação térmica que apresentam, podem causar novos eventos ainda mais graves do que o cenário inicial. Dessa forma o efeito dominó se explica. Abaixo segue uma vídeo didático mostrando esse efeito:

Sendo assim, baseados nesses tipos de acidentes, pesquisadores espanhóis e iranianos através artigo intitulado “The significance of domino effect in chemical accidents”, publicado no “Journal of Loss Prevention in the Process Industries” buscaram um melhor entendimento sobre quais os principais mecanismos que geram esses tipos de acidentes. Foram analisados 330 acidentes industriais com características de Efeito Dominó ocorridos entre os anos de 1961 e 2013. As informações foram agrupadas e abaixo segue alguns dados relevantes:

  • Em 83% dos casos houve o envolvimento de substâncias inflamáveis como GLP, Gasolina e Nafta, em unidades de armazenamento ou plantas de processamento.
  • Entre os eventos iniciadores do Efeito Dominó, 53% começaram após uma explosão e 47% após incêndio.
  • Entre os eventos secundários, 58% geraram incêndios, 38% geraram explosões e 4% originaram nuvem tóxica.
  • Sobre as sequências, dos acidentes analisados a grande maioria ocorreu em duas etapas. Apenas 6 ocorreram em três etapas e apenas 1 em quatro etapas.

Bom, sabendo então desses dados o que pode-se fazer para evitar a ocorrência de acidentes com possibilidade de Efeito Dominó? Abaixo ilustramos algumas medidas:

  1. Os projetos devem levar em consideração, os posicionamentos e distâncias dos equipamentos dentro da planta, preconizado pelos estudos de vulnerabilidade para os cenários levantados nas análises de riscos do projeto.
  2. Sistemas de prevenção, como válvulas de alívio de pressão e segurança por exemplo, devem ser projetados, instalados e mantidos adequadamente.
  3. Evitar a ocorrência do evento iniciador e caso ele vem ocorrer, estabelecer medidas de proteção em relação aos equipamentos e instalações adjacentes ao evento ocorrido.
  4. Criar procedimentos para a operação das unidades industriais em caso de emergência, conforme preconizado pela NR 20 – Segurança e Saúde com Inflamáveis e Combustíveis.
  5. Melhoria da Cultura de Segurança dentro da empresa, de modo a estimular a comunicação de desvios que possam causas acidentes.

Veja aqui com mais detalhes o artigo publicado pelos pesquisadores sobre o Efeito Dominó. Esse conteúdo também foi divulgado no meu canal no Youtube. Assista aqui.

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