Investigação de dose radiológica em ambiente hospitalar

Em continuidade ao nosso último post sobre o tema (neste artigo), independente do limite de dose adotado, seja este o limite Legal ou nível mais restritivo como tratativa interna da sua empresa, é importante que sejam investigados os motivos que levaram ao resultado desta mensuração.

Consideremos que a dose elevada é um evento isolado, destoando da realidade rotineira do trabalhador. Neste caso, algumas variáveis importantes devem ser levadas em consideração, é claro que aqui trazemos apenas um exemplo para lhe provocar a melhorarmos a ideia e aprendermos juntos. Portanto, algumas perguntas podem lhe auxiliar durante o processo de identificação das causas.

  • Quem é o funcionário?
  • Qual o horário de trabalho?
  • Ele cumpre a determinação de 24h/semanais?
  • A equipe deste plantão está completa?
  • O histórico de exames mostra algum pico de atendimentos no período da dose elevada?
  • Há sinais de desentendimento entre profissionais no período?
  • No setor de achados e perdidos da unidade, encontraram algum dosímetro?
  • Algum colega de setor deste trabalhador encontrou seu dosímetro perdido na sala?
  • Este trabalhador leva o dosímetro para outro vínculo?
  • Durante os procedimentos, nos momentos em que o ambiente está irradiado, ele se mantém na sala de comando, com a porta fechada?
  • Existe isolamento radiométrico entre a sala de exame e a sala de controle?
  • Se o trabalhador atua em mais de uma instituição, ele também possui dosímetro lá?
  • Este outro vínculo foi acionado para verificar se também existe dose a ser somada?
  • Existem equipamentos de proteção individual disponíveis?
  • Consta evidência física/documental de que este funcionário dispõem dos itens?
  • Poderíamos ficar aqui sugerindo uma infinidade de questionamentos, mas acredito que já seja de grande valia, caso queira sugerir mais apontamentos utilize os comentários, seria muito interessante!

Algo importante de se considerar é que a documentação do trabalhador (de RH, Eng Seg Trab e Med Trab) com exposição a radiação ionizante, entre elas, as investigações de doses, devem ser arquivadas durante seu vínculo de trabalho e no mínimo mais 30 anos após seu desligamento ou troca de função na qual não haja exposição. (NR32.4.7)

A portaria 453 determina (3.43 – alínea E) determina que, diante do uso dos EPI o dosímetro seja utilizado sobre o avental e, havendo é claro disponível a proteção em condições de uso, a dose pode ser dividida por 10, resultando na dose efetiva. No caso exemplificado no formulário que lhe disponibilizaremos, apontamos 1,2 mSv o qual neste caso passará a representar 0,12 mSv.

Com o resultado da dose efetiva abaixo dos limites de exposição, a documentação pode ser preenchida e assinada com o relato do funcionário e de uma testemunha, a qual recomendamos que seja acompanhada por um cipeiro.

Aqui na empresa, temos o hábito de (ainda que a dose efetiva não ultrapasse o limite) coletar a assinatura dos coordenadores de segurança do trabalho e da medicina do trabalho para fins de registro e informação. (engenheiro e médico do trabalho respectivamente)

Caso os limites sejam ultrapassados mesmo após o fator de correção, encaminhamos a documentação igualmente preenchida para a medicina do trabalho para as tratativas clínicas de exames e, se necessário o afastamento do trabalhador da exposição, não necessariamente do trabalho, para fins de “diluir” esta dose no ano.

Identificado o motivo da elevação da dose, acionamos o setor envolvido, seja a coordenação do setor de diagnóstico por imagem para intervenções administrativas ou mesmo o setor de engenharia clínica para ações corretivas.

Além de solicitarmos o acompanhamento de um cipeiro na investigação, outra coisa que é prudente, é informarmos a CIPA quando deste tipo de ocorrência, para que todo o grupo seja informado e nos auxiliem a policiar quando houver uso dos dosímetros em ambientes não ligados as atividades ou mesmo, que a equipe esteja dentro do local de trabalho sem portar o mesmo.

Obviamente, nossa atuação deve ser prevencionista, monitorando as atividades, as proteções, manutenções, testes de radiação de fuga, levantamento radiométrico, controle de qualidade, manutenções preventivas e os treinamentos obrigatórios, a fim de estabelecer uma cultura na equipe envolvida que evite o excesso de dose.

Abaixo lhe fornecemos um modelo simples para ser utilizado na sua investigação de doses, o qual pode ser criticado e melhorado.

A propósito, você sabia que dosímetro não é EPI?
Falaremos disso em outro post sobre o assunto.

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Fontes:

PORTARIA 453, de 01 de junho de 1998

Portaria 3.214/78 – Norma Regulamentadora 32

Norma CNEN NN 3.01 – Diretrizes Básicas de Proteção Radiológica

A Importância do SDAI e Equipamentos de Segurança Contra Incêndio nas Edificações.

Incêndio é coisa séria, a melhor forma de se combater um incêndio é com medidas preventivas, além é claro, de equipamentos de segurança contra incêndio.

Entretanto, você sabe quais os principais equipamentos de segurança contra incêndio existentes, e quais as suas funções?

Neste artigo, além de apresentarmos os principais itens de segurança contra incêndio, faremos uma breve explanação de cada um deles.

Mangueiras de Incêndio

Todo prédio bem estruturado e dentro das normas de segurança possui abrigos para mangueiras de incêndio. Existem cinco tipos de mangueiras e seus diâmetros são variados, sendo eles 2.1/2” e 1.1/2”. As mangueiras de incêndio canalizam a água propiciando um controle do incêndio ao direcionar o jato d’água.

Atualmente contamos com cinco tipos de mangueiras:

  • Tipo nº 1: Predial

Destina-se a Prédios e Residências, possui pressão máxima de 10kgf /cm2.

  • Tipo nº 2: Industrial

Destina-se a Indústria, possui pressão máxima de 14kgf/mc2.

  • Tipo nº 3: Indústria Naval

Destina-se a Indústria Naval / Corpo de bombeiros, possui pressão máxima de 15 kgf/cm2.

  • Tipo nº 4: Corpo de Bombeiros / indústria Petroquímica

Destina-se ao Corpo de Bombeiros e Indústrias Petroquímicas, possui pressão de 15kgf /cm2.

  • Tipo nº 5: Resistência a Abrasão e Superfícies Quentes

Indústria Pesada / Corpo de Bombeiros, possui pressão de 14kgf/cm2.

Extintores de Incêndio

É o equipamento de segurança contra incêndio mais acessível e também o mais conhecido. O seu funcionamento baseia-se em uma pressão interna do recipiente, contendo água, pó ou qualquer componente químico destinado ao combate ao foco do incêndio.

Fácil de manusear, é utilizado para o combate a princípios de incêndio.

Seu funcionamento é basicamente simples:

1º Verificar através do manômetro se o equipamento encontra-se pressurizado;

2º Retirar o lacre e o pino de segurança;

3º Direcionar o jato ao foco do incêndio, e apertar o gatilho.

Vale lembrar que, cada extintor recebe uma classificação com o seu modelo e sua indicação para qual tipo de classe de incêndio é indicado. É de extrema importância obedecer a sua finalidade específica no combate ao incêndio.

Sinalização de Emergência

Em tratando-se de evitar focos de incêndio e principalmente de salvar vidas, talvez este seja um dos itens mais importantes. A Sinalização de Segurança.

Em termos simples, o objetivo da sinalização é gerar um conjunto de estímulos com o intuito de informar uma pessoa sobre qual a melhor conduta a se tomar diante de uma condição e ou situação. E esta comunicação quando bem empregada, salva vidas e evita até mesmo grandes desastres.

As sinalizações podem ser indicativas de rotas de fuga e/ou indicativas de equipamentos de prevenção e combate à incêndio.

Sistemas de Detecção e Alarme de Incêndio

O sistema de detecção e alarme de incêndio é extremamente importante para garantir a segurança e prevenção contra incêndios em diversos locais, principalmente em lugares com grande circulação de pessoas como: escolas, prédios, galpões, indústrias e etc., são apenas alguns exemplos de onde o sistema de detecção e alarme de incêndio pode ser implantando.

Basicamente, um sistema de detecção e alarme de incêndio conta com um conjunto de acessórios que juntos fazem a segurança e prevenção dos incêndios. Existem diferentes tipos de sistema de detecção e alarme de incêndio. Alguns podem ser convencionais, digitais, analógicos ou endereçáveis. Os equipamentos são elaborados de acordo com o local a ser instalado, mas, todos são programados para oferecer total eficiência e qualidade.

O sistema de detecção e alarme de incêndio é composto por:

1- Central de Alarme: os sistemas de detecção de incêndio são compostos por detectores automáticos. Estes detectam várias ocorrências, como o fumaça, chamas ou calor. Por sua vez, a central de incêndio recebe os sinais dos detetores automáticos, na sequência, envia informações para os dispositivos de sinalização audiovisual ou sonora, como sirenes e luzes de emergência.

2- Detectores de Fumaça e Temperatura: instalados estrategicamente no ambiente, detectando a presença irregular de fumaça ou calor no local através de dispositivo automático. Esses equipamentos funcionam integrados a uma central de detecção, que recebe esses alertas acionando os alarmes e outros acessórios do sistema de detecção e alarme de incêndio.

3- Sprinklers: é um dispositivo comumente utilizado no combate a incêndios. Ele é composto de uma “armadura” e um elemento sensível, chamado bulbo. No interior do bulbo um líquido se expande a uma determinada temperatura de maneira que a cápsula seja rompida, quando um incêndio for iniciado, liberando a água para atuar no combate. As temperaturas nominais mais utilizadas no Brasil são: 68°C, 79°C, 93°C e 141°C.

 

 

Dentro da linha de equipamentos fixos de combate a incêndios, os sprinklers tem se mostrado um dos meios mais eficientes e econômicos, que podem diminuir os prejuízos à sua propriedade. Talvez, seja porque são sistemas anti incêndios que funcionam sem a necessidade da ação humana imediata, já que são instalados nos ambientes, produzindo sua “chuva” característica quando a temperatura atinge níveis elevados.

4- Acionador Manual: é um dispositivo que pode ser acionado manualmente por qualquer pessoa. Ele deve ser utilizado quando o foco de incêndio não for identificado de imediato por outros dispositivos, tais como: detectores de fumaça. Por esse motivo, deve ser instalado em pontos estratégicos de paredes e corredores, a uma altura padrão, acessível para qualquer indivíduo. Existem diferentes modelos de acionadores disponíveis no mercado, que podem ser escolhidos conforme a necessidade da aplicação.

O mais conhecido é aquele que possui uma pequena tela de vidro, que deve ser quebrada com um martelinho para disparar o comunicado. Contudo, modelos mais modernos também estão se popularizando no mercado e exigem apenas que um botão já centralizado seja apertado ou puxado para sinalizar a central.

5- Sinalizadores Audiovisuais ou Sirenes: pode ser compreendido como uma adição importante a qualquer sistema anti-incêndio, pois tem função de alertar e de orientar uma rápida evacuação do local. Este equipamento pode ser sonoro ou audiovisual. Este sistema possui função dupla para proteção e orientação de ambientes em casos de incêndio, e pode ser definido como um sistema de luzes e sons que são emitidos a partir da detecção de sinais de fumaça, incêndios e até mesmo na eventualidade de abandonar a edificação.

6- Sistema de Pressurização de Escadas de Emergência: tem como principal objetivo manter o local livre de fumaça e gases tóxicos, conforme determina a Instrução Técnica Nº 13/2018 do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

Com a atuação deste sistema a escada de emergência fica livre de fumaça mesmo com a ocorrência de um incêndio, facilitando a saída das pessoas que se encontram no edifício e evitando intoxicações que podem até levar à morte por asfixia. Esse sistema ainda permite que os militares do Corpo de Bombeiros tenham fácil acesso para combater o fogo.

O sistema de pressurização de escadas é composto por ventiladores com motor elétrico, que são montados em um local isolado e onde o ar externo pode ser captado por venezianas equipadas com filtros metálicos com a finalidade de reter partículas grossas como poeiras. A ventilação é realizada por grelhas de insuflamento, que são colocadas separadamente nos andares de modo alternado. Todos os pontos de saída precisam ser balanceados para permitir que todo o ar saia corretamente de cada grelha.

Para que a pressurização da escada de incêndio seja perfeita, são necessários quatro elementos essenciais: sistema de acionamento pelo Sistema de Detecção de Alarme e Incêndio (SDAI), captação do ar externo mecanicamente, insuflamento de ar e fonte de energia garantida.

Outro ponto chave desse processo é a fonte de energia, pois o fornecimento de energia elétrica é fundamental para que o sistema possa oferecer a segurança na evacuação do edifício. Além da fonte de energia principal, é necessário que exista uma fonte de emergência para se a primeira não funcionar.

O sistema de detecção e alarme de incêndio pode ser convencional, analógico ou programado a partir de endereços, configurados a pedido do cliente, para que os sinais sejam enviados para locais específicos”.

Iluminação de Emergência

A Iluminação de Emergência diz respeito aquelas lâmpadas que são acionadas quando por algum motivo, a energia elétrica é interrompida. Em locais com mais de um pavimento e com grande movimento de pessoas é obrigatório este tipo de equipamento de segurança.

Este equipamento visa iluminar o caminho em casos de incêndio.

Portas Corta-Fogo

A porta corta-fogo, também conhecida como PCF é uma porta utilizada com a finalidade de garantir a proteção contra incêndios realizando a compartimentação entre ambientes, justamente por isso elas são resistentes ao fogo. Além do fogo, ela impede a passagem da fumaça e facilita a fuga e o resgate de pessoas.

Esta porta é comum em shoppings centers, prédios, teatros, cinemas e outras construções. É requerida em edifícios comerciais ou residenciais, casas, instalações industriais, marítimas, dentre outros projetos. É considerado um produto seguro, entretanto, se não for realizado teste de qualidade sua eficácia pode ser comprometida até mesmo pelo seu uso inadequado.

Sempre aconselhamos a buscar orientações de especialistas da área antes de fazer o seu projeto. Incluir todos os itens obrigatórios desde o inicio do projeto evita problemas futuros, reduzindo os custos finais com o planejamento.

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