Cuidado com o uso de álcool gel. Prefira água e sabão!

Com a pandemia de Covid19, a procura por álcool gel cresceu desenfreadamente, fazendo com que o preço disparasse de maneira absurda, e ainda assim, as pessoas correm atrás de pequenos frascos do produto. Mas será que precisamos dele mesmo à todo custo? E ele é tão seguro a ponto de não provocar acidentes? Não é bem assim.

É fato que o produto ajuda a desinfetar as mãos. Mas, mais eficaz que ele, a tradicional combinação de água e sabão super dá conta do recado, além de ser muito mais barato. E claro, se sua mão tiver com sujidade aparente, o álcool gel não será eficaz. É possível entender como a água e sabão eliminam o coronavírus e outros microrganismos neste link aqui: https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2020/03/16/agua-e-sabao-entenda-a-quimica-que-torna-a-lavagem-de-maos-tao-eficaz.htm Já neste, é possível ver, por meio de fotografias, os resultados da lavagem correta das mãos: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Saude/noticia/2020/03/fotos-mostram-por-que-lavar-maos-e-melhor-forma-de-evitar-coronavirus.html

Dizem também que o álcool gel não pega fogo. Mentira!

Na verdade, o álcool com 70% de pureza mais aditivos que conferem a forma “gosmenta” (de gel) e um cheiro agradável, faz com que ele evapore mais devagar. Soma-se a isto o fato de a queima deste produto não produzir chama, o que torna os acidentes muito mais perigosos.

O vídeo abaixo, produzido por uma professora de Engenharia Química da FAHOR – Faculdade Horizontina mostra que o produto é sim perigoso. Veja:

Em pouco mais de 30 dias, mais de 100 ocorrências de queimaduras por álcool gel foram registradas conforme esta matéria da USP https://jornal.usp.br/atualidades/uso-do-alcool-em-gel-aumenta-acidentes-com-queimaduras/

Portanto, ao passar álcool gel nas mãos (quando não tiver água e sabão por perto), muito cuidado: não se aproxime de chama aberta, não acenda cigarros e claro, mantenha o frasco longe do alcance de crianças. E proteja o seu bolso, use água e sabão!

Ah, neste artigo eu falo sobre como agir em caso de queimaduras. Dá uma olhada lá: https://www.linkedin.com/pulse/como-prevenir-queimaduras-e-quais-medidas-de-socorros-carlos-felipe/?lipi=urn%3Ali%3Apage%3Ad_flagship3_profile_view_base_post_details%3BncmlkKVkS2CJv9J9FT8deg%3D%3D

Suporte Básico de Vida: a importância da rápida desfibrilação na parada cardiorrespiratória em ambiente extra hospitalar

A parada cardiorrespiratória – PCR é um problema de saúde pública de relevância mundial. Nos Estados Unidos, por exemplo, dados do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) mostram que cerca de 330 mil pessoas morrem por ano vítimas de PCR, sejam elas ocorridas dentro do hospital (intra hospitalar), quanto fora dele (extra hospitalar). No Brasil, estima-se que 212 mil pessoas morrem por ano, sendo que as vítimas acometidas por PCR fora do hospital geralmente não recebem as intervenções necessárias ou adequadas (PÍSPICO et al. 2013).

O atendimento a uma parada cardiorrespiratória está dividido, basicamente, em duas etapas: Suporte Básico de Vida – SBV (fase inicial), onde manobras básicas de RCP – Reanimação Cardiopulmonar, são aplicadas por qualquer pessoa, que podem ter o mínimo de treinamento ou não, podendo ser orientada por telefone por um Técnico Auxiliar de Regulação Médica, que trabalha em uma central telefônica do SAMU – Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, até a chegada de uma viatura para dar continuidade ao atendimento, e o Suporte Avançado à Vida – SAV, onde uma equipe composta por médico e enfermeiro executa procedimentos invasivos, como intubação orotraqueal, aplicação de drogas vasoativas e outras manobras (PÍSPICO et al. 2013).

O cérebro tem uma baixíssima tolerância à isquemia, logo, aplicar precocemente medidas de reanimação cardiopulmonar efetivas aumenta as chances de sobrevivência da vítima. (GEBELEIN, 2013).

O funcionamento do coração humano

O coração humano é um músculo oco com quatro câmaras (dois átrios e dois ventrículos), cuja função é bombear o sangue, rico em oxigênio e nutrientes, por todo corpo. É, portanto, o componente central do sistema circulatório (ZORZI & STARLING, 2017).

Os dois movimentos envolvidos nesta tarefa, conhecidos por sístole (contração) e diástole (relaxamento), só acontecem por conta de dois fatores: a geração ordenada de impulsos elétricos a partir do nó sinusal e o aporte adequado de oxigênio no miocárdio (musculatura do coração), que recebe esta corrente elétrica e proporciona, assim, as contrações necessárias, que, para um adulto saudável, estão numa faixa de 60 a 90 batimentos por minuto (ZORZI & STARLING, 2017).

Quando há a geração de impulsos elétricos anormais (arritmia), o coração costuma tremular e, com isso, há a interrupção da circulação sanguínea, levando a um quadro de isquemia em todos os órgãos. (GUIMARÃES et al. 2015)

A PCR apresenta três ritmos: FV – fibrilação ventricular, TVSP – taquicardia ventricular sem pulso, sendo estas arritmias originadas a partir de desordens elétricas; e a AESP – Atividade Elétrica sem Pulso, sendo a causa desta arritmia o aporte inadequado de oxigênio no miocárdio, podendo vir de traumas (como tamponamento cardíaco, tensão no pneumotórax ou hipovolêmia), falhas de oxigenação do sangue (como hipóxia, muito comum em bebês/crianças vítimas de engasgo), ou de má perfusão celular, como no infarto, onde um coágulo se forma na artéria coronária (vaso que leva sangue para o miocárdio) e impede a chegada de oxigênio ao músculo cardíaco, fazendo também que o coração perca a capacidade de bombear sangue (PAZIN-FILHO et al. 2003).

Em vítimas adultas, cerca de 95% das PCR inicia-se por problemas elétricos. Essas desordens (FV ou TVSP) costumam durar cerca de quatro minutos. Logo, detectar o ritmo que causou a parada cardíaca bem como aplicar eficazes medidas de reanimação cardiopulmonar nestes primeiros minutos são determinantes para a sobrevida da vítima. (PÍSPICO et al. 2013)

As manobras de RCP compreendem um conjunto de procedimentos que visa restabelecer o ritmo cardíaco, mantendo, no período em que são executadas, a circulação do sangue de maneira artificial, irrigando principalmente o cérebro. (NSC, 2007)

Os procedimentos listados nas recomendações para o atendimento a uma parada cardiorrespiratória são elaborados por diversas instituições que se reúnem duas vezes ao ano para discutir, revisar, e, entre outros objetivos, disseminar informações para a educação em ressuscitação cardiopulmonar. Tais instituições fazem parte da ILCOR, sigla em inglês para Aliança Internacional dos Comitês de Ressuscitação (TIMERMAN et al. 2006).

No Brasil, seguimos as recomendações da American Heart Association – AHA. Desde 1991, a AHA adota o padrão de “corrente da sobrevivência” para descrever as etapas evolvidas no atendimento de parada cardiorrespiratória, sendo composta por cinco elos interligados entre si (PÍSPICO et al. 2013).

Para a parada cardiorrespiratória extra hospitalar (PCREH), o primeiro item corresponde ao rápido reconhecimento da PCR e acionamento do serviço médico. Já o segundo elo corresponde à RCP em si, onde devem ser aplicadas compressões torácicas eficazes no tórax da vítima. O terceiro elo, o mais importante para reverter a parada cardíaca no adulto, é a rápida desfibrilação com uso do DEA – Desfibrilador Externo Automático. O quarto elo corresponde ao Suporte Avançado de Vida, onde técnicas invasivas são aplicadas para rápida estabilização e transporte da vítima a um centro de hemodinâmica, preferencialmente. Por fim, a última etapa, chamada de cuidados pós PCR, está sob a responsabilidade da equipe multidisciplinar no hospital (GUIMARÃES et al. 2015).

A identificação de uma PCR deve ser feita com extrema rapidez e compreende: checagem da responsividade, respiração e pulso. A responsividade é verificada chamando a vítima em tom de voz alto e tocando-a buscando por qualquer sinal de consciência. Caso não ocorra reação a estes dois estímulos, pode-se considerar que a vítima está em situação potencialmente letal, devendo-se neste momento chamar por socorro através do número 192 (serviço de ambulância do município/região) ou 193 (Corpo de Bombeiros). Na seqüência, procede-se com a checagem da respiração, onde a expansão torácica é observada, bem como sentir se há eliminação de ar aproximando-se o rosto da face da vítima. Caso ela também não respire, é confirmada a PCR com checagem do pulso e, em caso negativo, procede-se com a RCP, já que a PCR está confirmada, pois a vítima não responde, não respira e não tem pulso (PAZIN-FILHO et al. 2003).

A técnica ideal para aplicação das compressões cardíacas (segundo elo da corrente da sobrevivência) compreende compressões torácicas e insuflações. Para tal, posicione uma mão sobre a outra com a região hipotênar no osso esterno, na linha intermamilar. Comprima por trinta vezes e, na sequência, abra as vias aéreas e faça duas insuflações, utilizando-se para tal alguma barreira de proteção, com máscara descartável para RCP ou pocketmask (NSC, 2007).

Caso o socorrista não se sinta seguro para aplicar as insuflações ou não tenha equipamentos de proteção, pode realizar somente as compressões cardíacas, numa frequência de 120 compressões por minuto (GUIMARÃES et al. 2015)

A terceira e última etapa aplicada por leigos no suporte básico de vida está na aplicação do desfibrilador externo automático. O DEA é um equipamento que analisa o ritmo cardíaco e reconhece os traçados de fibrilação ventricular e taquicardia ventricular por meio de eletrodos fixados no tórax da vítima. Por meio destas também é aplicado o choque, quando indicado. O aparelho carrega a potência programada e emite um sinal onde o socorrista deve, neste momento, certificar-se que ninguém esta tocando a vítima e então apertar o botão de choque para que ele seja efetivamente aplicado, contribuindo para que o ritmo cardíaco seja restabelecido. (NSC, 2007)

Não há estudos que comprovem a eficácia do uso de fármacos para reverter PCR originada por FV ou TVSP. A desfibrilação externa automática se mostra uma manobra extremamente importante ainda no âmbito do suporte básico de vida, já que sua eficácia aumenta conforme ocorre nos primeiros minutos de RCP, onde observou-se uma taxa de sobrevivência de 30 %. Quanto mais tardiamente aplicada, menores as chances de retorno da circulação espontânea. (PAZIN-FILHO et al. 2003).

É importante ressaltar que mesmo que as compressões torácicas e insuflações estejam sendo corretamente aplicadas, a desfibrilação deve ser aplicada imediatamente, pois a cada minuto que este equipamento deixa de ser utilizado, as chances de reversão são reduzidas em 10%. Logo, a aplicação do desfibrilador externo automático em PCREH é fundamental (NSC, 2007)

A correta utilização do DEA inclui verificar se o tórax da vítima está seco; garantir que pelos em excesso sejam retirados (podendo-se utilizar para tal um aparelho descartável de barbear); e que vítimas que utilizam marca passo tenham as pás fixadas 2 cm abaixo do mesmo (PÍSPICO et al. 2013).

Ainda que seja um aparelho de fácil utilização, é imprescindível que a população em geral seja treinada para diagnosticar uma PCR, acionar o serviço de emergência adequado e aplicar as medidas iniciais de RCP, que envolvem compressões torácicas de alta qualidade e a rápida desfibrilação. O leigo treinado é peça chave para o sucesso na reversão do quadro, sendo componente essencial na cadeia de procedimentos envolvido na etapa de suporte básico de vida.

Faz-se necessário que pontos de acesso público à desfibrilação sejam criados pelas cidades, assim como preconiza o protocolo da AHA, visto que até mesmo cidades pequenas ou distantes dos grandes centros já apresentam um trânsito caótico, diversos chamados para os serviços de emergência e baixo número de ambulâncias disponíveis devido à retenção de macas nos hospitais, diminuindo drasticamente o tempo resposta, o que prejudica as chances de retorno da circulação espontânea.

Fica claro, portanto, que a desfibrilação é passo fundamental no atendimento às emergências cardiovasculares e que devemos cobrar cada vez mais que o DEA esteja disponível para uso nos mais variados tipos de empreendimentos e que a capacitação seja constante.

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Sob orientação de Alexandre Dias Zucoloto, docente Universidade Anhanguera – UNIAN

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REFERÊNCIAS

GEBELEIN, N. M., Choque. In: McSWAIN, N. E., Atendimento Pré Hospitalar ao Traumatizado, v. 1, ed. 7, Elsevier: Rio de Janeiro, p. 180-216, 2011.

GUIMARÃES, H. P., POLASTRI, T. F., CALDEIRA, P., BASRBISAN, J., Suporte Básico de Vida. In: GUIMARÃES, H. P., POLASTRI, T. F., CALDEIRA, P., BASRBISAN, J., American Heart Association, 2015.

NATIONAL SAFETY COUNCIL. NSC. Suporte Básico de Vida 2: Emergências Cardíacas e RCP. In: Suporte Básico de Vida para Profissionais da saúde e de resgate. Randal Fonseca: Bragança Paulista, p 36-47, 2007.

PAZIN-FILHO, A., SANTOS, J. C., CASTRO, R. B. P, BUENO, C. D. F., SCHIMIDT, A. Parada Cardiorrespiratória (PCR). Medicina, Ribeirão Preto, v. 36, n. 3, p. 163-178, 2003.

PÍSPICO, A., FERIANI, L. M. K., VANZETTO, R. DA FONSECA, S. C. Ressuscitação Cardiopulmonar: Suporte Básico e Avançado de Vida. In: FERIANI, L. M. K., RIBEIRA, J. M., DAMASCENO, M. C. T., ROZOLEN JR, P. J., CARDOSO, R. G., Pré Hospitalar/GRAU (Grupo de Resgate e Atenção às Urgências e Emergências), v. 1, ed. 1, Manole: Barueri, p. 104-138, 2013.

TIMERMAN, S., GONZALEZ, M. M. C., MESQUITA, E. T., MARQUES, F. R. B., RAMIRES, J. A. F., QUILICI, A. P., TIMERMAN, A. Aliança Internacional dos Comitês de Ressuscitação (ILCOR). Papel nas novas diretrizes de ressuscitação cardiopulmonar e cuidados cardiovasculares de emergência 2005-2010. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 87, n. 5, p e201-e208, 2006.

ZORZI, R., STARLING, I. G. Sistema Circulatório. In: ZORZI, R., STARLING, I. G., Corpo Humano, órgãos, sistemas e funcionamento. v. 1, ed. 2, Senac: São Paulo, p. 92-114, 2017.

Reflexão: devemos ou não checar pulso carotídeo no SBV após 2 minutos de RCP?

Aos amigos socorristas de suporte básico, em especial bombeiros (sejam civis ou militares): vamos fazer uma reflexão? Devemos ou não checar pulso carotídeo em PCR extra hospitalar após 2 minutos de RCP? O que você acha?

Vamos primeiro falar da sequência ideal de avaliação. Diversos protocolos recomendam:

1) Avalie a segurança da cena e, ao mesmo tempo, busque por algo que denuncie o que pode ter acontecido com a vítima;

2) Cheque a responsividade, ou seja, faça algum estímulo e busque por respostas para determinar se ela está consciente ou não;

3) Caso ela não responda, cheque respiração. Ah, o famoso ver ouvir e sentir continua sim muito atual, afinal, somente conferir a expansão torácica pode não ser tão eficaz.

Se a resposta para os dois últimos itens for negativa, é evidente que ela está em parada cardiorrespiratória. Não há necessidade de confirmar a presença de pulso carotídeo, até porquê não sabemos a quanto tempo ela está sem respirar.

Adote a sequencia de atendimento C-A-B: faça as compressões torácicas e, caso se sinta seguro e tenha equipamentos, como pocket mask ou máscara descartável, abra as vias aéreas e aplique duas ventilações.

A pergunta: após 2 minutos de compressões, devo checar pulso?

Bom, se você tiver DEA, ele deve ser aplicado assim que disponível, e a partir daí dará as coordenadas (choque ou não). Caso não tenha, o recomendável é apenas trocar as funções do socorrista: quem aplicou compressões, passa a ventilar, e vice-versa, evitando a fadiga da equipe.

Mas e quanto a checar pulso, por que não o fazer?

Simples: caso a vítima retorne a circulação espontânea, apresentará sinais como tosse, respiração e movimentos. Além disso, diversos estudos comprovam que mesmo os socorristas mais experientes tem dificuldade de identificar pulso carotídeo em menos de 10 segundos (tempo máximo recomendado para interrupção das compressões). Ainda assim, caso você sinta pulso, a vítima pode não ter frequência cardíaca ou pressão adequada, sendo necessário continuar com as compressões torácicas.

Portanto, entendam: quando falamos de suporte básico de vida, não devemos nos concentrar em checar pulso, pois será ineficaz neste caso.

Se ainda assim você duvida, dá uma olhada neste artigo: apenas 34 socorristas de 206 conseguiram determinar se o paciente tinha pulso ou não. Vale a pena a leitura: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11098941

Saiba mais sobre o derrame cerebral, a principal causa de incapacidade de trabalhadores em todo o mundo

O AVC – Acidente Vascular Cerebral, popularmente conhecido como derrame cerebral, é uma emergência cardiovascular, ou seja, ocorre devido a problemas no sistema circulatório e atinge os vasos sanguíneos do encéfalo (composto tronco cerebral, cerebelo e cérebro, daí a atualização do nome para Acidente Vascular Encefálico – AVE).

O cérebro funciona a partir de impulsos elétricos e, para que ele consiga desempenhar bem o seu papel de controlar o sistema nervoso, ele depende de oxigênio, que chega às células por meio do sangue através dos vasos sanguíneos. Quando, por algum motivo, o sangue não chega à essas células, temos um derrame.

Existem dois tipos de AVC: o isquêmico, que é quando um entupimento das artérias do encéfalo interrompe o fluxo sanguíneo, levando o tecido não irrigado a uma necrose, ou o hemorrágico, que é quando um destes pequenos vasos que irrigam o encéfalo se rompe, causando uma hemorragia (o que leva a um aumento da pressão intra craniana).

Tipos de AVC
Na ilustração à esquerda, temos o AVC isquêmico, que leva à uma necrose do tecido. Já à direita, temos uma hemorragia devido o rompimento de um vaso sanguíneo.

– AVC em números

O AVC é a emergência cardiovascular que mais mata no Brasil (em segundo lugar está o IAM – Infarto Agudo do Miocárdio), e é a principal causa de incapacidade de trabalhadores em todo o mundo. Até mesmo doenças temidas como o câncer ou o AIDS – Síndrome da Imunodeficiência Adquirida estão atrás dele.

Dados da OMS – Organização Mundial da Saúde mostram que 16 milhões de pessoas são afetadas todos os anos, sendo que 6 milhões morrem. Cerca de 70% das pessoas não retornam às suas atividades devido sequelas, e 50% ficam dependentes de outras pessoas no dia a dia.

Os casos mais comuns de derrame são do tipo isquêmico: representam 85%, e a previsão, segundo a World Stroke Organization (Organização Mundial do AVC) é que uma a cada seis pessoas no mundo terão um AVC ao longo da sua vida.

– Fatores de risco

Diabetes (nível de açúcar no sangue elevado), tabagismo (responsável por 25% dos casos), sedentarismo, má alimentação, hipertensão e colesterol alto são fatores que contribuem para o aumento das chances de uma pessoa sofrer um derrame. Logo, ter uma alimentação saudável, manter o peso ideal, fazer atividades físicas e não fumar previne a doença.

– Reconhecendo um AVC

Quanto mais cedo uma vítima de AVC for atendida, maiores são as chances de sobrevivência e o não desenvolvimento de sequelas.

A vítima de AVC pode apresentar, além da dor de cabeça súbita, dificuldade para falar, movimentar-se, fazer força e até mesmo desmaiar.

Para facilitar a rápida identificação, devemos nos lembrar da palavra SAMU, onde faremos a seguinte analogia:

S = SORRIR: peça para que a vítima dê um sorriso. Nesse caso a, a vítima deve perder a expressão facial, ficando com a boca torta;

A = ABRAÇAR: peça para que a vítima dê um abraço em você. Ela não terá força para elevar os braços, e caso consiga, eles ficarão desalinhados;

M = MENSAGEM: neste momento, a vítima deverá falar uma frase. Geralmente há uma dificuldade em falar palavras difíceis e a vítima pode ate mesmo apresentar-se confusa;

U = URGÊNCIA: por fim, ao apresentar um destes sintomas, você pode estar diante de uma vítima de AVC, estando diante, portanto, de uma urgência. Ligue imediatamente para o SAMU, através do telefone 192 e peça ajuda!

Palavra SAMU pode ser utilizada para ajudar a identificar uma vítima de derrame

– Primeiros socorros

Após acionar o serviço de emergência, você deve deixar a vítima deitada com a cabeça elevada, diminuindo assim o fluxo sanguíneo na cabeça. Coloque a cabeça de lado para escoar fluídos e a mantenha aquecida.

Caso a vítima desmaie, coloque-a em posição de recuperação, que consiste em lateraliza-la, facilitando a respiração e evitando a broncoaspiração de líquidos.

Posição de recuperação
Posição lateral de segurança ou posição de recuperação facilita a respiração e evita a broncoaspiração de líquidos.

Se necessário, aplique as manobras de RCP – Reanimação Cardiopulmonar. Faça 120 compressões por minuto no centro do tórax, entre a linha dos mamilos, comprimindo o mais forte possível.

 

Convulsão X epilepsia: saiba a diferença, as causas e o que fazer

Muitos pensam que quando alguém tem uma crise convulsiva, ela sofre de epilepsia. Mas não, isso não é verdade. Há uma grande diferença entre convulsão e epilepsia.

Impulsos elétricos

Os nossos movimentos, como andar, segurar um copo, etc, só são possíveis por conta de impulsos elétricos que são gerados no cérebro e transmitido aos membros por meio dos nervos. Ações como pensar, lembrar, respirar, entre outras, também dependem destes impulsos.

Quando a geração de corrente elétrica no cérebro fica desorganizada, ele sofre um curto circuito, e com isso, há diversas manifestações clínicas que chamamos de convulsão. Logo, podemos definir convulsão como atividade elétrica cerebral anômala.

Causas da convulsão

Diversos são os motivos que podem causar uma convulsão, e qualquer pessoa pode ter uma crise, em qualquer idade:

  • Intoxicação por álcool ou drogas;
  • Infecções;
  • Traumas (acidentes automobilísticos ou pancadas na cabeça);
  • Tumor;
  • Febre alta;
  • Hipoglicemia;
  • entre outros.

Tipos de convulsão e características

Existem vários tipos de convulsão. Logo, elas podem se apresentar de diversas maneiras, que vão desde uma crise de ausência, passando por tremores na boca ou nas mãos, até um desmaio seguido de movimentos musculares involuntários, onde a vítima pode salivar excessivamente e perder o controle do esfincter, chegando a urinar e até mesmo defecar. Este último tipo de crise convulsiva é conhecida como tônico-clônica ou grande mal, que é a mais conhecida.

Epilepsia

Quando estas crises são recorrentes, geralmente por problemas do sistema nervoso, problemas genéticos ou sequelas de um trauma, a vítima tem uma doença crônica chamada epilepsia. Neste caso, é necessário fazer uso de medicamentos controlados ou, até mesmo, fazer cirurgias para controle destas crises. Portanto, convulsão não é uma doença, e sim, uma consequência. A doença é a recorrência das crises, chamada portanto de epilepsia.

Primeiros socorros:

Ao contrário do que muitos pensam, a epilepsia não é transmissível. Como não é possível prever uma crise ou mesmo controlá-la, as medidas de primeiros socorros no cenário pré hospitalar (ou seja, em casa, na rua, ou no trabalho), se restringem a evitar o agravamento do quadro.

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  • Afaste objetos próximos que podem machucá-la;
  • Afrouxe as vestes;
  • Coloque as mãos ou uma almofada embaixo da cabeça para evitar traumas;
  • Coloque a cabeça de lado, se possível, para facilitar o escoamento de saliva e a respiração;
  • Acione o SAMU ou Corpo de Bombeiros.

Colocar uma colher ou outro objeto na boca, ou mesmo o próprio dedo na intenção da facilitar a respiração da vítima, além de não ajudar, pode causar um segundo acidente, pois a vítima pode se machucar ou mesmo cortar o seu dedo por conta dos movimentos involuntários.

Não de nada para a vítima cheirar ou beber durante e nem após a crise. Ajude-a na recuperação da consciência, já que geralmente ela volta extremamente confusa e ate mesmo agressiva.

Por fim, é importante monitorar a respiração, pois, se ela não recobrar a consciência e não estiver respirando, ela está em parada cardiorrespiratória. Neste caso, aplique as medidas de RCP – Reanimação Cardiopulmonar, que você pode ler aqui.

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Quer fazer um curso de primeiros socorros? Fale comigo!

cf-carlosfelipe@bol.com.br

Instrutor de Primeiros Socorros, RCP e DEA credenciado pelo National Safety Council – USA.

Fogo na cozinha: por que não jogar água na panela com óleo?

Todos nós sabemos que, se a panela com óleo pegar fogo, não devemos jogar água. Mas, você sabe o motivo? E por quê o óleo pega fogo? O que devemos fazer?

Todo material sólido ou líquido que tem a capacidade de pegar fogo é chamado de combustível ou inflamável. Para que isto aconteça, ele precisa ser aquecido a uma determinada temperatura. Então, ele irá se decompor e começa a liberar vapores inflamáveis, que, em contato com uma faísca ou chama, pega fogo.

Quando esquentamos o óleo, inicialmente ele cumpre direitinho com sua função: frita o alimento. Mas, se por ventura, esquecermos a panela no fogão com ele ligado, o óleo vai esquentando, esquentando, esquentando, até atingir uma temperatura tão alta, que ele pega fogo mesmo sem a presença de uma chama ou faísca. É o que chamamos de temperatura de auto ignição. O calor da panela é suficiente para iniciar o fogo.

O óleo de canola, por exemplo, tem uma temperatura de auto ignição de 330ºC mais ou menos. Quando esta temperatura é atingida, ele começa a pegar fogo sozinho.

Muita gente acha que qualquer tipo de fogo pode ser combatido com água. Mas isto é errado, principalmente no caso do óleo. E por quê não devemos usar água?

A água é mais pesada que o óleo. Logo, quando a jogamos dentro da panela, ela vai direto para o fundo. Água e óleo não se misturam. E, como todos nós já sabemos, a água ferve a partir de 100ºC. Mas, como a temperatura do óleo é de pelo menos 330ºC, a água muda de estado líquido para gasoso subitamente e evapora, espalhando vapor de óleo por toda a cozinha, aumentando o incêndio. Por este motivo não devemos usar água jamais!

E o que fazer neste caso?

A maneira ideal de extinguir este fogo é acabar com o oxigênio, elemento que dá vida a ele. Neste caso, devemos cobrir a panela com uma tampa ou pano úmido torcido. Isto será suficiente para não permitir o contato do oxigênio do ar com o fogo, e rapidamente ele será extinto. Ah, e não esqueça de desligar a boca do fogão!

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Muito importante: se a labareda estiver alta e você não conseguir se aproximar, o melhor a fazer é tirar as pessoas de casa, desligar o gás e, se necessário, chamar os bombeiros pelo telefone 193.

Se você sofrer uma queimadura, siga as dicas deste artigo que escrevi sobre como evitar acidentes domésticos e o que fazer em caso de queimaduras!

Até a próxima!

Infarto: O que é, como identificar e o que fazer.

Ultimamente venho postando muitas informações e dicas de primeiros socorros relacionadas à emergências cardiovasculares, afinal, é o grupo de doenças que mais mata em todo mundo: 17 milhões de vítimas fatais registradas no ano de 2016.

O infarto, por exemplo, atinge cerca de 300 mil pessoas por ano aqui no Brasil, sendo que, em 30% dos casos, ele é fatal (leia mais aqui). É a principal causa de morte no pais.

Mas, afinal, o que é infarto? Como identificar? O que fazer se eu desconfiar que alguém está tendo infarto?

Antes de falar o que é infarto, devemos entender como funciona o coração humano. Este órgão, que é responsável por circular o sangue por todo o corpo humano, levando oxigênio e nutrientes a todas as células, é formado por quatro cavidades, que se contraem e relaxam cerca de 70 vezes por minuto num adulto em repouso.

Esse movimento, que chamamos tecnicamente de sístole e diástole, só é possível porque estas cavidades tem uma parede interna chamada de miocárdio. Ela é cheia de fibras musculares que recebem impulsos elétricos e, assim, proporcionam o movimento ritmado.

Para que o miocárdio consiga funcionar perfeitamente, além dos impulsos elétricos, ele precisa de oxigênio, assim como as demais células do corpo. E quem traz oxigênio a ele? O sangue! E ele chega ao coração através da artéria coronária.

Por conta de diversos fatores, como má alimentação e tabagismo, por exemplo, placas de gorduram se acumulam na artéria coronária. Com o tempo, o sangue vai tendo dificuldades de passar, e o suprimento de oxigênio para o miocárdio diminui, fazendo com que esse tecido vá necrosando, ou seja, vá morrendo, perdendo a capacidade de contrair.

Veja abaixo uma ilustração que mostra o coração e a artéria coronária entupida, o miocárdio, e a necrose do tecido devido a ausência de oxigênio proveniente do sangue:

Portanto, o infarto é a necrose do miocárdio devido o entupimento da artéria coronária.

E como saber que alguém está tendo infarto?

A pessoa que está sofrendo um infarto sente dor forte no peito, que pode irradiar para o braço esquerdo (persiste por mais de dez minutos), dor no pescoço e queixo, palidez, vertigem, suor, confusão mental e dificuldade para respirar, além de azia e vômitos em alguns casos.

Se alguém ou até mesmo você sentir estes sintomas, corra para o médico. Outra dica muito importante, recomendada tanto pelo National Safety Council quanto pela American Heart Association, é mastigar 01 comprimido de Aspirina (ácido acetilsalicílico – AAS) para adulto ou 02 comprimidos caso a dosagem dele seja para crianças. O AAS vai impedir que o coágulo aumente, já que a gordura atrai plaquetas, obstruindo rapidamente o vaso. Mas isso só deve ser feito caso a pessoa não sofra de gastrite.

Monitore e, caso a pessoa desmaie, aplique as medidas de primeiros socorros para parada cardiorrespiratória, a RCP – reanimação cardiopulmonar.

(Em maio de 2017 escrevi um artigo sobre o que leigos devem fazer ao se deparar com uma vítima de parada cardíaca. Leia mais aqui).