Reflexão: devemos ou não checar pulso carotídeo no SBV após 2 minutos de RCP?

Aos amigos socorristas de suporte básico, em especial bombeiros (sejam civis ou militares): vamos fazer uma reflexão? Devemos ou não checar pulso carotídeo em PCR extra hospitalar após 2 minutos de RCP? O que você acha?

Vamos primeiro falar da sequência ideal de avaliação. Diversos protocolos recomendam:

1) Avalie a segurança da cena e, ao mesmo tempo, busque por algo que denuncie o que pode ter acontecido com a vítima;

2) Cheque a responsividade, ou seja, faça algum estímulo e busque por respostas para determinar se ela está consciente ou não;

3) Caso ela não responda, cheque respiração. Ah, o famoso ver ouvir e sentir continua sim muito atual, afinal, somente conferir a expansão torácica pode não ser tão eficaz.

Se a resposta para os dois últimos itens for negativa, é evidente que ela está em parada cardiorrespiratória. Não há necessidade de confirmar a presença de pulso carotídeo, até porquê não sabemos a quanto tempo ela está sem respirar.

Adote a sequencia de atendimento C-A-B: faça as compressões torácicas e, caso se sinta seguro e tenha equipamentos, como pocket mask ou máscara descartável, abra as vias aéreas e aplique duas ventilações.

A pergunta: após 2 minutos de compressões, devo checar pulso?

Bom, se você tiver DEA, ele deve ser aplicado assim que disponível, e a partir daí dará as coordenadas (choque ou não). Caso não tenha, o recomendável é apenas trocar as funções do socorrista: quem aplicou compressões, passa a ventilar, e vice-versa, evitando a fadiga da equipe.

Mas e quanto a checar pulso, por que não o fazer?

Simples: caso a vítima retorne a circulação espontânea, apresentará sinais como tosse, respiração e movimentos. Além disso, diversos estudos comprovam que mesmo os socorristas mais experientes tem dificuldade de identificar pulso carotídeo em menos de 10 segundos (tempo máximo recomendado para interrupção das compressões). Ainda assim, caso você sinta pulso, a vítima pode não ter frequência cardíaca ou pressão adequada, sendo necessário continuar com as compressões torácicas.

Portanto, entendam: quando falamos de suporte básico de vida, não devemos nos concentrar em checar pulso, pois será ineficaz neste caso.

Se ainda assim você duvida, dá uma olhada neste artigo: apenas 34 socorristas de 206 conseguiram determinar se o paciente tinha pulso ou não. Vale a pena a leitura: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11098941

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