Temperatura e Fluxo de Calor em casos de Incêndio

Apesar da conscientização dos riscos inerentes à área de combate a incêndio
ter melhorado consideravelmente nas últimas décadas, muitas questões sobre como aumentar a segurança do bombeiro por meio de melhores equipamentos de proteção individual ainda não foram respondidas! Isso faz com que este assunto ainda seja largamente pesquisado em grandes centros pelo mundo, inclusive com o objetivo de melhorar as normas existentes, ou mesmo criar novas normas.

E só com um maior conhecimento de como um incêndio se desenvolve e, conseqüentemente, do ambiente a que o bombeiro está exposto é que será possível buscar uma maior proteção para o bombeiro, melhorando os
níveis de segurança dos seus equipamentos de proteção individual, principalmente por meio do desenvolvimento de normas e padrões para estes equipamentos.

Nos últimos anos, com a implantação do projeto de modernização dos
procedimentos de combate a incêndio, o treinamento de combate a incêndio passou a ser realizado em um sistema composto de contêineres, similar ao existente em diversos países da Europa e América no Norte. Este sistema foi apresentado pela primeira vez em uma palestra realizada no X SENABOM
realizado em Belém/PA, em 2008.

Com o objetivo de melhor compreender o desenvolvimento dos incêndios e a
sua influência diretamente nos bombeiros, diversos treinamentos são monitorados por meio de sensores termopares, tanto no ambiente, quanto no equipamento de proteção individual dos bombeiros, como por exemplo, na face interna e externa da roupa de proteção e nas máscaras de proteção respiratória. Além de sensores termopares, foram também utilizados
medidores de fluxo de calor. Por meio dessas medições, foi possível verificar a temperatura e o fluxo de calor a que os bombeiros estão submetidos em uma situação de pré-generalização do incêndio (pré-flashover).

O serviço dos bombeiros é considerado, em geral, uma ocupação perigosa,
principalmente por estarem expostos a diversas condições térmicas geradas pelos incêndios.

Existem dois componentes principais da exposição térmica que impactam os bombeiros:

1. Fluxo de calor – Taxa de energia térmica transferida de uma região
mais fria para uma mais quente;

2. Temperatura – Medida direta da atividade molecular, ou seja, é a
medida da energia térmica.

Estes componentes são acoplados e em conjunto criam as condições que
oferecem risco para os bombeiros em um incêndio. Geralmente as pessoas associam o risco de se queimar à temperatura, mas ela é apenas parte da história. A temperatura é o resultado da energia gerada pelo incêndio e transferida como fluxo de calor para o ambiente e objetos, tais como o mobiliário, a roupa de proteção e a camada de fumaça.

Sendo assim, o fluxo de calor é o que causa a mudança de temperatura em um incêndio. De uma forma simples, o calor pode ser transferido de três formas:

Condução – transferência de calor por meio do contato direto entre as
moléculas do material em corpos sólidos;

Convecção – transferência de calor de um fluido em movimento até
uma superfície sólida ou para outro fluido;

Radiação Térmica – É a transferência de calor por meio de ondas
eletromagnéticas.

Cada uma dessas formas de fluxo de calor geram um impacto nos riscos de uma pessoa sofrer uma queimadura e elas causam uma mudança na temperatura sentida pelo bombeiro. Dessa forma, é importante lembrar que é a combinação do fluxo de calor e da mudança de temperatura resultante que causa queimaduras.

Para que o bombeiro diminua o risco de se queimar, é importante que ele
tente manter algum espaço com ar entre as diversas camadas da roupa de aproximação e entre a roupa de baixo, pois o ar atua como um isolante térmico.

Estudos realizados no pelo NIOSH e outros institutos comprovaram que caso haja um uma compressão, como um toque em um objeto ou em outros bombeiros, o calor armazenado nas camadas da roupa de aproximação será liberado mais facilmente, levando a queimadura no ponto onde houve a compressão.

A compreensão da dinâmica de um incêndio é essencial para a atividade de
prevenção, combate e investigação de incêndios. No combate ao incêndio, aliada a esta compreensão, é extremamente importante que o bombeiro tenha o conhecimento das condições que podem existir no ambiente em que ele estará trabalhando, de forma que ele possa ter uma noção mais clara dos riscos a que ele estará submetido. Com o sistema de treinamento de combate a incêndio atualmente utilizado no Corpo de Bombeiros Militares é possível simularmos situações próximas a um incêndio real, mas em
condições de controle e medição. Desta forma, foi possível monitorar, por meios de sensores, a temperatura e fluxo de calor a que os bombeiros estão submetidos quando em treinamento.

Nas condições de treinamento, foi evidenciado que os bombeiros podem estar submetidos a temperaturas de até 200ºC no lado externo da roupa de proteção e de 80º C dentro da roupa de proteção, podendo estar submetidos a picos de fluxo de calor próximos a 8 kW/m2.

Estes dados são importantes na avaliação e criação de normas sobre as roupas de proteção, bem como das máscaras de proteção respiratória.

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